FELIZ DIA DOS FILHOS QUE AMAM SUAS MÃES!
Ao me deparar com um quadro do Jornal do Almoço hoje ao meio dia, tive a oportunidade de me emocionar e assim como estou agora, com os olhos molhados de tristeza, assistir a vários depoimentos de mães que foram convidadas a deixarem um recado para seus (as) filhos (as), já que o próximo domingo se intitula “Dia das mães”.
Lembro-me de ter ouvido uma mãe dizer que seu filho e sua nora eram maravilhosos e cuidavam dela, dando-lhe a atenção e o respeito merecidos. Dar os parabéns a esta família seria eximi-la das suas obrigações de filhos e atribuir a ela, como se fosse uma bondade, uma virtude que deve fazer parte do ser humano em reconhecimento a tudo o que receberam na sua infância, juventude e vida adulta. Essas são aquelas pessoas que seguem a instrução que o próprio Deus deixou em um dos seus mandamentos, quando aconselhou a todos que dessem honras aos seus pais, porque assim prosperariam e viveriam com longevidade... (Êxodo 20.12).
O que me causou tristeza foram os depoimentos de 98% das mães que falaram durante o programa, palavras do tipo: “Meus filhos não tem tempo...”; “Filha, vem me visitar, a mãe está com saudade...“; “ Filha, não esquece da mãe aqui, porque a mãe nunca esquece você...”; “É muito triste ficar aqui, longe dos filhos...”; “Meu filho nunca vem, pois mora no RJ” (uma hora e 40 minutos de avião), e assim uma grande lista de tentativas, por parte das mães, de se conformarem com o descaso dos seus filhos e filhas. A lembrança daqueles olhos que tentavam esconder a ciência do abandono a que foram acometidos me faz a visão também turva e as lágrimas brotam dos meus olhos.
As vezes me pergunto, o que faço por minha mãe de 73 anos. Me pego perguntando se o que faço por ela um dia vai pagar a todas as noites que ela passou em claro comigo, se vai pagar a sua “quase morte” na ocasião do meu nascimento, se vai pagar a todos os momentos nas madrugadas em que ela, de joelhos, pede a Deus que cuide da minha vida e da vida dos seus outros filhos... Não, não vai pagar nunca!
Gostaria tanto de poder dizer a estes que apenas nasceram, mas esqueceram de se tornarem filhos, que eles estão longe do verdadeiro sucesso, estão longe de serem humanos e consequentemente estão longe da felicidade!
Não existe sucesso no mundo que pague a infelicidade no olhar de uma mãe que foi abandonada e qualquer um pode mentir a vontade dizendo que é feliz deixando sua mãe em uma casa de repouso pedindo por misericórdia para que venham visita-la, pelo menos no “dia das mães”.
O mais triste de tudo é olhar nos olhos! Olhar para dentro de um olhar cheio de lembranças e impotência. Alguém que um dia alimentou, cuidou, deu incontáveis horas dos seus dias para que seus filhos tivessem o melhor que elas poderiam lhes dar, dizendo: “Meu filho não tem tempo para mim...”
Não é fácil cuidar de uma pessoa idosa, realmente. Requer jogo de cintura, requer cuidados especiais, requer muita compreensão! Aceitar a desconfiança dos nossos velhos, com relação ao dinheiro, convencê-los que existem prioridades quando o dinheiro não alcança tudo o que eles acham necessário, fazê-los entender que nem tudo o que comiam até 20 anos atrás pode continuar na sua dieta e que nem tudo o que faziam 20 anos atrás está ao seu alcance...
Realmente, é um desafio que temos e porque não enfrenta-lo? Não vivemos na era dos desafios? Diariamente temos desafios a vencer e cuidar dos nossos pais deve ser um desafio enfrentado com amor, pois só assim poderemos vencer e darmos adeus a eles com nossa consciência tranquila e a bênção de Deus sobre as nossas vidas.
Eu tenho uma filha, da qual cuido sozinha desde os seus nove anos e jamais vou dizer a ela para deixar de viver a sua vida em função da minha, mesmo que eu já tenha doado 15 anos da minha vida a ela, fazendo- a dormir ao som de musicas e ouvindo histórias, passando noites em claro para me certificar de que a sua adenoide não estava interrompendo sua respiração, conversando quando queria ficar calada, sorrindo quando na verdade queria chorar, deixando de comprar algo para mim por não poder comprar para ela também, interrompendo sonhos por não poder dar conta de tudo sozinha, me preocupando com ela na adolescência, aconselhando... não, não, não me arrependo de nada disso! Tudo o que fiz por minha filha foi por amor.
Tenho ainda mais alguns anos para me preocupar com ela, eu sei disso, e farei de coração, não esperando nada em troca, pois sei que infelizmente muitos filhos não reconhecem o que sua mãe fez um dia por eles. Certamente espero o melhor da minha filha, pois hoje, assistindo ao JA junto comigo ela também encheu os olhos d’agua, por ver o quanto é triste a situação daquelas mães que talvez deram tudo de si para seus filhos e hoje como recompensa, tem em lugar de amor e carinho, uma casa de repouso.
De tudo isso, posso tirar uma lição que repasso aos meus queridos leitores:
Amar é a melhor fonte de felicidade e sobrepuja a todos os outros sentimentos. Se hoje estamos aqui é porque algum dia alguém nos acolheu. Muitas vezes os pais erram tentando acertar e muitas pessoas podem não ter tido dos seus pais, o carinho e o cuidado que acham justo, mas reitero minhas palavras dizendo que não existe felicidade maior do que conseguir vencer estes fantasmas do passado e escrever sua própria história, portanto, considere a possibilidade de amar sua mãe como gostaria de ser amado por seus filhos, sendo ela uma velhinha amável e dócil, ou uma senhora de palavras duras e grosseiras; sendo ela mãe adotiva ou de sangue, sendo ela mãe moderna ou antiga, sendo ela pobre ou rica... O amor não requer reciprocidade, mas a felicidade é companheira de quem ama...
Feliz dia dos filhos a todos que amam suas mães!!
Ionara
06/05/2011